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Por que não começar agora?

*Por Lilian Dias e Luciana Bento

Manhã de sábado ensolarado, ambiente descontraído e pessoas de várias idades diferentes reunidas tocando numa roda de choro ao ar livre. Parece um evento especial? Pois é apenas mais um dia de aulas na Escola Portátil de Música (EPM), que acontece semanalmente na UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro).

De crianças a músicos experientes. Para estar ali, basta vontade de aprender e trocar conhecimentos. Ou você também é daqueles que acreditam que tocar um instrumento é coisa para jovens?

Maurício Carrilho, músico e coordenador da Escola Portátil de Música, aposta na integração entre alunos de todas as faixas etárias. Para ele, não existe uma idade certa para começar a aprender música.

“Nós mantemos a tradição do choro, que sempre reuniu músicos de todas as idades em suas rodas. Aqui na escola, as turmas são separadas por nível de conhecimento, independente de faixa etária”, explica. Ele conta que muitas pessoas mais velhas chegam na escola sem nunca ter tocado qualquer instrumento, mas que tem muita facilidade em aprender: “são pessoas que tem a música dentro delas”, avisa.

Outra escola que também integra os alunos de idades diferentes é a Pro Arte, localizada em Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Ali o que importa é a troca de experiências e a vontade do aluno em aprender – foco é na superação e não nas limitações.

“Para o artista não existe primeira, segunda nem terceira idade… Nossos alunos são tratados da mesma forma, com as mesmas exigências. E os benefícios e prazeres da música também são para todos, indiscriminadamente”, conta Maria Helena de Andrade, professora de piano clássico. “Acredito que o aprendizado depende não apenas do talento: contam também a vontade, a determinação e o estado de espírito”.

Que o diga Iraci Barbosa que, aos 82 anos, comparece bastante animada às aulas semanais de bandolim. Ela conta que quando mais nova, por falta de tempo, não se dedicou ao instrumento, que é sua paixão antiga. Mas retomou as aulas assim que foi possível, logo após a sua aposentadoria – e lá se vão dez anos de aulas e aprendizado.

“O tempo que eu passo aqui é um tempo de lazer, algo que me faz muito bem fisicamente, mentalmente e socialmente”, relata. “Cada vez que toco é uma experiência diferente, parece que tem uma energia positiva. Você deixa de sentir dor no olho, dor no pé, no joelho…”, brinca.

Benefícios evidentes

Não é difícil perceber os benefícios que prática da música pode trazer para os idosos, garante o médico Maurício Magalhães. “Muitos começam a perder agilidade e alguma memória, preferindo se isolar por se sentirem inseguros com a convivência com outras pessoas, o que pode gerar depressão e afetar a qualidade de vida. Como a música estimula a prática em grupo, acaba sendo uma atividade muito positiva para as pessoas nesta faixa etária”, revela.

O médico lembra que não apenas a música, mas práticas como xadrez, sudoku, leitura e palavras cruzadas estimulam o cérebro e são altamente benéficas para as pessoas – não apenas na terceira idade. “Mas a música, por ser uma atividade complexa do ponto de vista cognitivo, pode estimular bastante o psiquismo”, diz.

Já Marleth Flávia Fonseca e Carolinne de Oliveira, ambas professoras e idealizadoras do Curso de Música da Terceira Idade da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, revelam que a capacidade em (ainda) aprender surpreende a todos, alunos e professores.

“A descoberta de que ainda podem aprender os surpreende”, diz a professora Marleth. “Ao longo das aulas, notamos que suas percepções, memória, coordenação e cognição são desenvolvidas ou reativadas pela música”. E, junto com o aprendizado, vem o estímulo à criatividade: “alguns já até compuseram músicas para a turma”, revela Carolinne.

E dificuldades momentâneas não podem ser empecilho para o aprendizado na terceira idade. É o que afirma Antônio Neri, 81 anos, que começou a tocar teclado e não quer mais parar.

“Claro que existe uma dificuldade própria da idade, mas é necessário insistir. Depois de um ano e meio tocando posso dizer que estou bem mais confortável agora, já melhorei muito desde que comecei as aulas.  Estou bem satisfeito”, confessa.

Uma coisa é certa: força de vontade é algo que parece não faltar para os mais experientes. Exemplo disso é o Hélcio da Mata, economista, contador e advogado que, aos 78 anos, está aprendendo a tocar violão, uma paixão da juventude.

“Eu faço por prazer, não tenho o compromisso de me formar e ser músico. E já penso até em aprender outros instrumentos, como clarinete ou saxofone.  Eu adoro música, sou muito entusiasmado”, conta.

Com todos esses benefícios, fica claro que a música na terceira idade pode ser uma grande aliada. Ou você ainda é daqueles que acreditam que “já passou da idade”?

Para estes, lançamos o desafio: por que não começar agora?

 

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