Mapeamento
de Projetos de
Educação Musical

Brasil de Tuhu

É um programa que promove a educação musical no Brasil. Para homenagear um dos maiores entusiastas da questão, o maestro Heitor Villa-Lobos, escolhemos seu apelido de infância – Tuhu, uma referência ao barulho das locomotivas que ele tanto amava – para compor o nome do programa. Nossa inspiração vem de seu “Guia Prático”, um conjunto de cantigas populares rearranjadas pelo maestro nos anos 30.


Em 2009, o Brasil de Tuhu colocou o pé na estrada e não parou mais. Realizamos diversas ações presenciais e digitais com o intuito de contribuir para a ampliação da educação musical no país.

Sobre o projeto Brasil de Tuhu

Como A pesquisa
Foi feita

Objetivo

Mapear projetos de educação musical no Brasil. Foram abordados pontos como: público atendido, instrumentos e estilos musicais ensinados, financiamento e principais dificuldades.

Universo pesquisado

Os contatos foram obtidos através de mailing da Baluarte, clippings, divulgação em redes sociais e consultas a bases de dados de leis de incentivo e editais públicos dos 26 estados e do Distrito Federal, além da Lei Rouanet.

Instrumento usado

Um questionário on-line com 40 perguntas foi enviado por e-mail, Facebook e sites dos projetos. Também houve respostas coletadas por telefone. Ao todo, foram contatados 2.040 projetos.

Quando

O questionário foi aplicado entre dezembro de 2016 e março de 2017.

Respostas

Recebemos 240 formulários integral ou parcialmente preenchidos por responsáveis administrativos e/ou pedagógicos de projetos de educação musical de várias partes do Brasil.

Limites

A estratégia de obter contatos a partir de leis de incentivo deixa de fora ações que não usam esse tipo de mecanismo. Tal lacuna foi parcialmente preenchida por meio de buscas em redes sociais e clippings.

É provável que projetos menores estejam sub-representados nos resultados, pois não dispõem de know-how para inscrever-se em editais e leis de incentivo, nem para manter páginas em redes sociais ou sites.

O mapeamento decidiu não considerar projetos feitos no âmbito escolar, por entender que eles obedecem a outro tipo de estruturação.

Perfil De atuação

Sudeste concentra 52% dos projetos

O acesso aos dados de Minas Gerais foi mais amplo que nos outros lugares, o que pode ajudar a explicar a liderança do estado nesta lista

Terceiro setor confirma sua importância na área

Pergunta: Em quais destas categorias sua instituição/empresa se enquadra? Era possível marcar mais de uma opção
Base: 239 respostas

A instituição trabalha em outras áreas além de educação musical?

Categoria em que se encaixa o mantenedor do projeto

Base: 239 respostas

A maioria dos projetos foi criada nos últimos dez anos…

Base: 234 respostas

…e ainda está ativa…

Base: 209 respostas

…mas a lei de 2008, que tornou obrigatório o ensino musical nas escolas, parece ter tido pouco impacto

Conhece a Lei 11.769?

54%

Sim, mas não em detalhes

38%

Conheço bem

7%

Não

Era possível selecionar mais de uma opção
Base: 208 respostas

A lei que obriga a ensinar música em escolas mudou o trabalho da instituição?

68%
Não mudou
12%
Projetos têm mais participantes
10%
Oferecemos mais projetos
6%
Recebemos mais demanda por ed.musical
8%
Outro

Era possível selecionar mais de uma opção
Base: 232 respostas

A maior parte das instituições conduz um único projeto…

48%

1 projeto

108 instituições

25%

2 projetos

56 instituições

11%

3 projetos

24 instituições

7%

4 projetos

16 instituições

7%

5 ou mais projetos

15 instituições

3%

Nenhum projeto

6 instituições

Base: 225 respostas

…atende até 500 pessoas…

Número de atendidos

26%

Até 50

26%

De 51 a 100

28%

De 101 a 500

8%

De 501 a 1.000

6%

De 1.001 a 5.000

6%

De 5.001 a 10.000

3%

Mais de 10.000

Base: 210 respostas

… e abrange apenas os municípios onde estão instaladas

Cidade onde atende

82%

Apenas na cidade-sede da instituição

21%

Na cidade-sede e em outras cidades fixas

19%

Na cidade-sede e em outras cidades não fixas, dependendo de parcerias feitas e apoios recebidos

Era possível selecionar mais de uma opção
Base: 208 respostas

Atendimento exclusivamente gratuito é predominante

Forte presença de ONGs no setor e contrapartidas de editais e leis de incentivo podem explicar resultado

74%

Todos gratuitos

9%

Todos pagos

8%

Maioria gratuita

6%

Maioria paga

3%

Metade gratuita, metade paga

Base: 209 respostas

Atividades on-line ainda são incipientes

Onde os projetos são realizados

Pergunta: Os atendimentos são realizados… / Era possível marcar mais de uma opção
Base: 210 respostas

Perfil Pedagógico

Os projetos atendem jovens…

21%

Até 5 anos

71%

6 a 10 anos

80%

11 a 14 anos

77%

15 a 18 anos

61%

19 a 59 anos

42%

60 ou mais

Base: 210 respostas

…especialmente os que não têm formação musical

Conhecimento musical dos participantes

92%
Sem formação musical
65%
Formação musical básica
38%
Formação musical intermediária
24%
Músicos profissionais
22%
Professores de música
18%
Professores de outras áreas
6%
Outro

Base: 210 respostas

Boa parte dos projetos atende pessoas com deficiência ou se preocupa com acessibilidade…

Atende pessoas com deficiência ?

60%

Sim

40%

Não

Preocupação com acessibilidade

44%

Nos preocupa e gostaríamos de poder trabalhar melhor

28%

Nos preocupa e já há um bom trabalho feito

16%

É central: inclui várias ações voltadas para o tema

7%

Não nos preocupa

6%

Nos preocupa, mas não pretendemos trabalhar em breve

Base: 207 respostas

…mas atividades atingem poucas pessoas desse público

2%

0 pessoas (com deficiência atendidas)

3 projetos

47%

1 a 5 pessoas (com deficiência atendidas)

59 projetos

14%

6 a 10 pessoas (com deficiência atendidas)

18 projetos

12%

11 a 20 pessoas (com deficiência atendidas)

15 projetos

7%

21 a 100 pessoas (com deficiência atendidas)

9 projetos

7%

Mais de 100 pessoas (com deficiência atendidas)

5 projetos

3%

Não sei

17 projetos

Base: 126 respostas

Com que tipo de deficiência?

55%

Física

51%

Mental

46%

Intelectual

34%

Visual

20%

Auditiva

3%

Outra

Era possível marcar mais de uma opção
Base: 123 respostas

Boa parte dos projetos atende pessoas com deficiência, porém, ainda não alcança colaboradores

Tem colaboradores com deficiência?

90%

Não

10%

Sim

Número de projetos

17

1 a 5

1

6 a 10

2

Mais de 10

Base: 211 respostas

Tipo de deficiência dos colaboradores

44%

Visual

39%

Física

22%

Auditiva

17%

Intelectual

0%

Mental

6%

Outra

Base: 18 respostas

Projetos são coordenados por profissionais formados na área…

Formação dos responsáveis pela coordenação pedagógica do projeto

Era possível marcar mais de uma opção
Base: 210 respostas

…mas não adotam metodologias consagradas

Metodologia de ensino adotada

51%
Metodologia própria
46%
Não adotamos metodologia específica
15%
Suzuki
11%
Dalcroze
10%
Orff
3%
O Passo
3%
El Sistema
16%
Outro

Base: 210 respostas

Apresentações didáticas predominam, mas atividades de maior fôlego também são frequentes

Atividades educativas realizadas

80%

Concertos/Shows

71%

Curso continuado de música

61%

Curso continuado de musicalização

51%

Aulas avulsas de música

48%

Formação de bandas

43%

Formação de corais

40%

Produção de conteúdos didáticos

37%

Aulas avulsas de musicalização

37%

Festivais

36%

Capacitação de educadores

34%

Formação de orquestra

17%

Prêmios

10%

Outros

Era possível marcar mais de uma opção
Base: 209 respostas

Ao todo, projetos recorrem a mais de 40 instrumentos

Os de percussão, em alguns casos, são confeccionados pelos próprios alunos a partir de materiais recicláveis

Todos os projetos trabalham com música brasileira

41%

A maioria é brasileira, mas há uma parte de estrangeira

27%

Brasileira, exclusivamente

25%

Metade brasileira, metade estrangeira

7%

A maioria é estrangeira, mas há brasileira

0%

Música estrangeira exclusivamente

Base: 208 respostas

36 estilos foram citados…

Era possível selecionar mais de uma opção
Base: 210 Respostas

… e MPB é o mais frequente

79%

MPB

54%

Clássica

43%

Samba

42%

Rock

26%

Sertanejo

23%

Reggae

21%

Gospel

16%

Regional / Folclórica

13%

Axé

13%

Rap

11%

Funk

5%

Afro

20%

Outros

Era possível selecionar mais de uma resposta
Base: 208 respostas

Gestão, Financiamento
e Comunicação

Meios on-line são principais ferramentas de COMUNICAÇÃO

Como os projetos divulgam suas ações

80%

Facebook

64%

Site

59%

E-mail

26%

WhatsApp

20%

Instagram

15%

Outras redes sociais

11%

Anúncios em jornal

10%

Anúncios em rádio

7%

Anúncios em revista

7%

Newsletter

6%

Linkedin

6%

Outros aplicativos

6%

Youtube

8%

Outro

Quais destas ferramentas são usadas na comunicação de seu projeto/programa? Era possível selecionar mais de uma opção
Base: 185 respostas

Contato com a imprensa e elaboração de estratégia de comunicação são principais desafios na área

Principal dificuldade de COMUNICAÇÃO

Base: 197 respostas

Financiamento inclui tanto doação direta quanto leis e editais…

Era possível marcar mais de uma opção
Base: 202 respostas

… mas doações diretas são as que têm maior peso

Resultado não significa que o setor seja em boa parte financiado por doações; projetos que atendem mais pessoas são mais dependentes de lei de incentivo

Grau de importância (nota de 1 a 5)

2,84

Doação direta de PF

2,65

Outro

2,51

Doação direta de PJ, sem leis de incentivo

2,48

Cobrança direta

2,45

Lei estadual de incentivo à cultura

2,43

Editais públicos municipais

2,38

Editais públicos estaduais

2,31

Lei Rouanet

2,18

Editais públicos federais

2,11

Lei municipal de incentivo à cultura

2,03

Venda de produtos

1,78

Doação de PF por meio de lei de incentivo

Base: 198 respostas

Apesar da diversidade de fontes, captação é o grande gargalo na gestão dos projetos

Principal dificuldade de GESTÃO

Base: 197 respostas

E os projetos…

Principal dificuldade de REALIZAÇÃO

O setor ainda tem dificuldade de encontrar parceiros na execução dos projetos

Base: 199 respostas

Parcerias não financeiras incluem de escolas a padaria…

Era possível selecionar mais de uma opção
Base: 210 Respostas

…mas as mais frequentes são com instituições públicas e comunidades de bairro

59%
Instituições públicas de ensino
39%
Comunidades de bairro
36%
ONGs
33%
Secretarias municipais de Cultura
22%
Outras instituições da área musical
22%
Secretarias municipais de Educação
21%
Pontos de cultura
21%
Instituições privadas de ensino
18%
Secretarias estaduais de Cultura
12%
Secretarias municipais de outras áreas
9%
Nenhuma
9%
Secretarias estaduais de outras áreas
8%
Fabricantes de instrumentos
7%
Unidades do SESC
3%
Secretarias estaduais de outras áreas
2%
Unidades do SESI
19%
Outro

Era possível selecionar mais de uma opção
Base: 187 respostas

Projetos têm necessidade de se aperfeiçoar em várias áreas

Importância de capacitação, por área

Grau de importância (nota de 1 a 5)

4,28

Gestão financeira e captação de recursos

3,99

Ferramentas de comunicação

3,74

Gestão administrativa

3,70

Atualização pedagógica e metodológica

2,88

Outro

Conclusões

1

Boa parte dos produtores dedica-se apenas a um projeto em educação musical (ainda que atue também em outras áreas da cultura), de alcance moderado, tanto em número de beneficiados (até 500 pessoas por ano) quanto do ponto de vista geográfico (mais de 80% só atua em seu próprio município).

O conjunto das respostas, portanto, indica a predominância de agentes de pequeno ou médio porte.

2

Ainda que de pequena dimensão, os projetos parecem ter grande relevância social. A grande maioria oferece atendimento gratuito e mira um grupo social especialmente vulnerável no Brasil: os jovens. A ênfase nesse estrato é reforçada pela informação de que o público-alvo mais alcançado são jovens com pouca ou nenhuma formação musical.

3

A importância do setor para a inclusão é demonstrada também pela atenção a questões de acessibilidade. Seis em cada dez atendem pessoas com deficiência (embora o número de beneficiados poucas vezes passe dos cinco), e praticamente metade tem interesse em trabalhar melhor com o assunto.

Como em outras áreas, ainda falta a preocupação com a inclusão se estender também ao próprio quadro de funcionários e colaboradores.

4

Não fica clara a relevância das atividades voltadas a professores – que têm papel importante de disseminar conhecimento.

Uma pesquisa mais detalhada poderia indicar o quanto os projetos para esse grupo ajudam a replicar boas práticas.

5

Sobre a qualidade do trabalho oferecido pelos projetos, a pesquisa traz uma notícia boa e uma ruim.

A BOA
muitas atividades são coordenadas por pessoas com conhecimento em música – relativamente poucos contam com bacharéis (28%) ou licenciados (12%) oriundos de outras áreas, além de 13% com profissionais sem formação. Como na música é frequente a presença de pessoas sem formação específica, os números deste levantamento parecem bons.

A MÁ
prevalecem ações que ou não usam metodologia específica ou usam metodologia própria – o que, em alguns casos, pode ser um modo polido de se dizer que não há propriamente um método sistematizado em uso.

6

As entrevistas demonstram que o leque de atividades educativas utilizadas é bem amplo.

O predomínio é de concertos e shows didáticos – que, por si sós, têm potencial limitado. Mas chama a atenção a quantidade de propostas em que a formação continuada parece estar em primeiro plano.

7

Em comunicação, a ênfase nos meios digitais não é surpresa. Trata-se de uma área crescente, que requer pouco investimento.

O fato de uma parcela dos projetos se interessar em fazer capacitação na área, porém, pode indicar que essas ferramentas não estão sendo usadas em todo o seu potencial. O gargalo apontado em elaboração de estratégia de comunicação reforça essa impressão.

8

Os resultados sobre captação de recursos surpreenderam a equipe de pesquisadores.

Como o principal meio de contato foram bancos de dados de editais e leis de incentivo, o esperado era que esses mecanismos aparecessem com grande destaque em relação aos demais. O que sobressai, porém, são as captações sem incentivo — e o fato de nenhuma modalidade atingir grandes percentuais.

9

O peso das doações diretas tem de ser relativizado.

Alguns projetos de alcance comunitário recorrem aos moradores do entorno para arrecadar recursos em campanhas esporádicas – trata-se, assim, de pequenos valores. Entre os projetos que atingem mais pessoas, as leis de incentivo (sobretudo, a Rouanet) aparecem com vulto maior. De qualquer modo, apenas uma pesquisa mais específica, envolvendo perguntas diretas sobre valores, poderá explorar melhor esses pontos

O fato de o grande gargalo apontado pelos entrevistados ser a captação de recursos deixa claro que as fontes ainda são vistas como insuficientes.

10

A pesquisa mostra, por fim, que há grande carência por capacitação em diversos setores. Nos quatro pontos apresentados no questionário, o interesse por capacitação ultrapassa o patamar de 3,7, acima dos que poderia ser tomado como sinal de interesse mediano (3 pontos).

FICHA TÉCNICA

Realização: Baluarte Cultura
Direção de Relacionamento: Fabiana Costa
Direção de Criação e Planejamento: Paula Brandão
Direção de Produção: Paula Sued
Gestão de Produção: Mariana Rodrigues
Coordenação de Produção Administrativa: Leandro Salomão

Coordenação Pedagógica: Carla Rincón

Coordenação da Pesquisa: JLeiva Cultura e Esporte
Tabulação da Pesquisa: PrimaPagina
Sistema da Pesquisa: Planet TI
Projeto Gráfico e Diagramação da Pesquisa: Naru Design

Mantenedor:
Ministério da Cultura e Governo Federal
Wilson Sons

Mantenedor:

Realização: