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Ondas coloridas da Marca Brasil de Tuhu

Universo Tuhu em expansão

Por Luciana Bento

A música transforma. Traz suavidade para o dia-a-dia, atiça a criatividade, aguça percepções, proporciona conhecimento, amplia a voz de oprimidos, resgata emoções, incentiva trocas, cria laços, acessa áreas remotas do cérebro, remete a outros tempos e culturas…

É este poder transformador que inspira e impulsiona o Brasil de Tuhu – programa que, às vésperas de completar uma década de atividades ininterruptas, se reinventa e atualiza ferramentas, atividades, processos e linguagens.

Com um olhar cada vez mais abrangente, o Brasil de Tuhu envolve diferentes ações que alcançam desde a criança e o jovem até o professor e educador, passando por músicos, facilitadores, estudiosos, gestores públicos e amantes da música.

Concertos didáticos, vivências musicais, vídeoaulas, podcasts, reportagens, artigos, entrevistas, CD, guia musical, mapeamento de ações de educação musical e um aplicativo com jogos para tablets e celulares fazem parte do arsenal utilizado para disseminar conhecimento e informação a um público cada vez mais interessado em levar música brasileira de qualidade aos mais diversos rincões do País.

Mas quando se trabalha com um assunto tão apaixonante, as ideias pulam que nem pipoca e novas ferramentas surgem e ações são atualizadas. Uma delas é a própria revista que a partir de agora ganha novo formato: as reportagens, artigos e entrevistas “conversarão” mais com as demais ações do projeto e o conteúdo, mais diversificado, será lançado de forma mais diluída ao longo do ano.

Mas não é só: um gibi – que estará disponível no nosso site e será distribuído nas escolas por onde passam os concertos didáticos – está saindo do forno. O roteiro e os desenhos estão sendo desenvolvidos pelo Copa Studio, um dos maiores estúdios de animação da América Latina, e retratam o Universo Tuhu, com as aventuras de um jovem apaixonado por música, além de brincadeiras musicais e jogos educativos para as crianças.

Pé na estrada com os concertos didáticos

Os concertos didáticos – uma das marcas registradas do Brasil de Tuhu – estão passando por uma reformulação capitaneada por duas feras: o compositor, arranjador e autor teatral Tim Rescala e pela coordenadora pedagógica do projeto Carla Rincón, violinista do Quarteto Radamés Gnattali – um dos mais importantes e ativos grupos de música de câmara da atualidade e um dos idealizadores do Brasil de Tuhu, ao lado da Baluarte Cultura.

“Com tantos anos de estrada, levando os concertos a escolas de todo o Brasil, temos bagagem para avaliar o que deu certo, o que precisa ser atualizado… É um amadurecimento, fruto de um trabalho consistente ao longo destes nove anos”, avalia Carla. “Na verdade estamos fazendo uma reestruturação global do projeto, avaliando cada ação, cada atividade, aprofundando os pontos fortes, aperfeiçoando outros… Começamos pela mudança da identidade visual e não paramos mais. Estou muito orgulhosa deste processo”, diz.

No caso dos concertos didáticos, o ponto de partida foi a estrutura anterior – já testada e aprovada pelos pequenos. No entanto, o novo roteiro deixa os concertos ainda mais interativos, dinâmicos e cênicos. Não é à toa que uma das grandes novidades é a inclusão de uma atriz nas apresentações.

O fio condutor da narrativa será Fifinha, a querida tia do menino Tuhu – papel que caberá à atriz Verônica Bonfim. “Estou encantada com o projeto, muito feliz por fazer parte desta equipe e abraçar esta experiência, que é tão nova para mim”, conta Verônica, que além de atriz é cantora, musicista e educadora ambiental.

Ao fazer a ponte entre a plateia e os músicos, contando um pouco da história e apresentando a música do maestro Villa Lobos para as crianças e jovens, Verônica acredita que precisará de muito “jogo de cintura” para lidar com as surpresas que cada concerto pode trazer.

“Cada plateia é de um jeito. Cada escola, cada turma, em cada estado e cidade deste Brasil interage e reage de uma forma diferente. Isso me instiga muito, me incentiva a melhorar sempre, a ficar atenta às reações de cada um. Mesmo seguindo um roteiro e uma narrativa, é preciso abertura para lidar com algum imprevisto, uma resposta diferente, um elemento novo que possa surgir”, explica.

Diversidade de ambientes e locais não vai faltar: este ano serão 52 concertos apresentados em 28 escolas de 06 estados (Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e Pará). Para se ter uma ideia, desde 2009, os concertos do Brasil de Tuhu passaram por 36 municípios de 17 estados, envolvendo 177 escolas públicas em suas atividades e alcançando mais de 20 mil alunos. Nada menos do que 43 mil quilômetros percorridos!

E, ao lado dos concertos – atividade voltada para crianças e jovens – serão realizadas as vivências musicais, que são ciclos de capacitação gratuitos destinados a professores, facilitadores, oficineiros e educadores interessados em conteúdos e metodologias de musicalização.

Mais de 250 pessoas já participaram destas atividades – que este ano estarão mais diversificadas, utilizando e integrando as ferramentas e conteúdos criados ao longo dos nove anos do programa. E, pelo retorno recebido, pode-se afirmar que elas têm ajudado professores a disseminar a educação musical nas salas de aula pelo Brasil afora. É o caso de Salvador, que receberá os concertos e vivências novamente este ano.

“Já estamos na expectativa! Os professores gostam muito desta troca de experiências, de aprendizados, novas práticas e ideias. Fora que, estar ao lado do Quarteto Radamés Gnattali, apreciando a maravilhosa música que eles fazem, é uma experiência à parte”, diz Fernanda Siqueira, supervisora da Gerência de Currículos da Secretaria Municipal de Educação de Salvador, na Bahia.

Ela conta que a passagem dos concertos pelas escolas de Salvador no ano passado, aliada às vivencias musicais para os professores, proporcionou experiências e práticas que se desdobraram durante todo o ano em salas de aula de diferentes escolas da rede pública de ensino.

“Muitos professores adaptaram as atividades para a sua realidade, já que uma ação como a vivência instiga muito a criatividade do educador. Então, a partir de uma ideia vão brotando outras e por aí vai…”, conta Fernanda. “Gostamos muito das atividades do Brasil de Tuhu e queremos bis!”, revela.

Continuidade das ações de educação musical

Os desdobramentos das atividades em sala de aula, para além da passagem dos concertos e vivências, são incentivados por uma série de materiais que o projeto disponibiliza para professores e alunos. Um deles, fundamental para esta ampliação é o guia musical “Brincando de Música com Tuhu”, que terá uma segunda edição este ano, com novas ferramentas práticas e didáticas.

Além dele, o gibi – que será distribuído para as crianças após os concertos –, o kit de materiais doado às escolas que recebem as atividades e mais a série de ferramentas online disponibilizadas gratuitamente, como o aplicativo Tuhu Musical e o CD (com cantigas populares documentadas e rearranjadas pelo maestro Villa-Lobos nos anos 30) formam o arsenal de atividades lúdicas e educativas do Brasil de Tuhu.

“Nosso objetivo sempre foi oferecer um conjunto de ações e ferramentas que se completam e se complementam para que professores, educadores, oficineiros, músicos e mesmo curiosos possam utiliza-las em suas atividades de educação musical”, conta Paula Sued, diretora da Baluarte Cultura, uma das idealizadoras do projeto. “A ideia é que sejam usadas em sala de aula, auxiliando os professores de forma concreta, em seu dia-a-dia. Viemos para somar neste grande e lindo desafio que é tornar a educação musical uma realidade no Brasil”, finaliza.

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